sábado, 24 de março de 2012

Saúde estuda incluir fertilização in vidro

O Ministério da Saúde montou um grupo de trabalho para discutir a inclusão da fertilização in vitro na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda em 2012 -- sete anos depois da primeira portaria que determinava o atendimento para casais que precisassem do procedimento. Se a medida for aprovada, será a primeira vez que o governo federal vai bancar os custos da mais eficiente forma de engravidar para quem tem problemas de fertilidade -- um procedimento que pode custar até R$ 50 mil por tentativa em médicos particulares.
A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida onde óvulo e espermatozoide são fecundados em laboratório. Depois, o embrião é implantado diretamente no útero na mãe. A técnica tem mais sucesso que a inseminação artificial, mas também é mais cara. Em clínicas particulares, o custo de uma tentativa gira em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil, mas pode ir a R$ 50 mil. A chance de engravidar na primeira tentativa é de 30%, dependendo da idade da mulher.
O Ministério da Saúde confirmou a intenção de colocar o procedimento na tabela do SUS até o fim do ano, mas não quis dar detalhes sobre como e exatamente quando isso iria acontecer. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, preferiu não comentar a movimentação no Ministério sobre o assunto. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, estão sendo discutidos quais seriam os impactos financeiros da medida e onde seria implantado o serviço.

No início de março, o Ministério da Saúde anunciou que estava estudando colocar técnicas de "reprodução assistida" no SUS, sem especificar exatamente qual delas. AoG1, a assessoria confirmou que uma das técnicas em estudo é a fertilização in vitro.
Atualmente, são oferecidos pelo SUS 31 procedimentos de reprodução humana assistida -- a maioria, exames preparatórios para tratamentos mais complexos, como a própria fertilização.
A coordenadora do Centro de Ensino e Pesquisa em Reprodução Assistida do Hospital Regional da Asa Sul, de Brasília, Rosaly Rulli, faz parte do grupo de trabalho do Ministério. “Não está sendo discutido nada além da fertilização in vitro. O ministério já tem vários programas para o restante [das áreas da reprodução humana assistida], só a fertilização que não tem”, diz ela.
“Tivemos a primeira reunião no final de fevereiro. Agora, há outra reunião marcada para abril. Estamos avançando”, conta. O hospital é referência em fertilização in vitro gratuita, com verbas do governo do Distrito Federal.
A primeira vez que surgiu a possibilidade de colocar a fertilização no SUS foi em março de 2005, quando o Ministério publicou uma portaria que determinava o oferecimento da fertilização pelo SUS a pessoas com dificuldade para ter filhos. Quatro meses depois, ela foi suspensa para a avaliação dos impactos financeiros.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Romney tenta confirmar liderança

Vitaminado por uma vitória folgada no estado de Illinois, berço político do presidente Barack Obama, o pré-candidato republicano Mitt Romney enfrenta neste sábado (24) as prévias do partido em Louisiana e tenta confirmar a liderança na disputa pela candidatura.
Romney teve 47% dos votos, doze à frente do segundo colocado, Rick Santorum. Apesar disso, as primeiras pesquisas mostravam Santorum com 14 pontos de vantagem na Lousiana.

Uma pesquisa divulgada na sexta-feira, no entanto, indicou que o ex-governador de Massachusetts alcançou um dos seus melhores índices nas eleições prévias republicanas.
Romney aparece com 40% dos votos de todos os republicanos registrados no país, enquanto Santorum tem 26%, segundo o levantamento do instituto Gallup. Já o ex-líder da Câmara, Newt Gingrich permaneceu com 14%, e o ex-deputado Ron Paul, com 8%.
A pesquisa mostra um crescimento de seis pontos de Romney desde a terça, dia da última primária, enquanto Santorum caiu dois pontos no mesmo período.
Num raro para a campanha de primárias republicanas, todos os quatro pré-candidatos fizeram campanha no mesmo na sexta. Estão em jogo na Louisiana neste sábado 20 delegados. São necessários 1.144 para a indicação do partido.

domingo, 18 de março de 2012

Pesqueiro que sumiui do Japão reaparece no mar do Canadá

Embarcação foi avistada por tripulação em patrulha aérea rotineira.
Barco foi achado na costa de Haida Gwaii, perto de Columbia Britânica.

quinta-feira, 15 de março de 2012

República Federativa do Brasil




Cento e vinte e dois anos. É tempo. E muito. Estes anos se passaram desde a proclamação da República. Um ato estranho como outros de nossa história. Nada de heroísmo, muito de perfídia.

Deodoro era pessoa de confiança do Imperador. Seu conselheiro. Deixou a fidelidade à parte. Derrubou a monarquia. Um ato singelo. Ele e seus companheiros de farda apenas gritaram: viva a República.

Bastou. A abolição do trabalho escravo enfraqueceu politicamente a monarquia. A guerra contra o Paraguai esvaziou os cofres públicos. Gerou dívidas insuportáveis.

O pior. O conflito contra Solano Lopes permitiu o surgimento de heróis, verdadeiros e falsos. Heróis vivos sempre criam situações difíceis. Não foi diferente nestas terras tropicais.

As tropas passaram a tomar perfil. Configurou-se a corporação militar. Esta passou a fazer exigências. Soldos maiores. Presença política atuante. Os membros do antigo regime não possuíam o mesmo estofo.

Caiu o Império. Venceram os adeptos do Positivismo, integrantes do Exército. A ala civil do Partido Republicano, no primeiro momento, foi suplantada. A corporação militar abocanhou todos os postos centrais.

Seguiram-se anos de grande rigor. Tanto Deodoro quanto Floriano Peixoto, que o sucedeu, agiram com mão-de-ferro. Não vacilaram. Aniquilaram os antagonistas.

A violência dirigiu-se contra membros de famílias tradicionais, como se deu em Santa Catarina. Também contra sertanejos imbuídos de princípios religiosos, no caso de Canudos.

Os militares, leitores de Auguste Conte, imaginavam aplicar o Positivismo, com seu racionalismo, nestas terras ensolaradas. Como todo transplante cultural feito às pressas, o choque foi inevitável.

Nada mudou. Tudo estagnou. Como apontou o romancista, o povo não participou. A tudo assistiu bestificado. Foi o primeiro golpe militar da História brasileira.

O Visconde de Ouro Preto, o último ministro da Fazenda do Império, em visão profética, escreveu no exílio um pequeno volume a que deu o nome de "Advento da Ditadura Militar no Brasil".

Realmente, após a implantação da República, a ingerência dos militares na política tornou-se constante. Os golpes armados se sucederam.

Os civis, sempre individualistas e muitas vezes sequiosos de benesses, aceitaram passivamente a dominação dos hierarquizados e disciplinados corpos fardados.

Em várias ocasiões os chefes militares tiveram prevalência nas decisões fundamentais para o País. Certamente, o momento mais representativo da atuação militar aconteceu em 1930.

Os tenentes, de então, reformularam os costumes políticos e institucionalizaram a defesa do patrimônio nacional. Conceberam, ao lado de civis, novas instituições.

A Justiça Eleitoral é um produto direto do tenentismo e, sua instalação, permitiu rever as práticas deformadas do sistema eleitoral durante todo o período do Império e da Primeira República.

Os fundamentos da Petrobrás e de outras entidades centrais do desenvolvimento surgiram a partir dos ideários lançados pelos tenentes de 30.

Depois vieram muitos momentos dignos de reflexão e análise. Permaneceu, no entanto, sempre o ideal da unidade nacional. A federação, entre anomalias e acertos, tornou-se uma realidade imutável.

Quando tanto se fala em busca da verdade, é bom recordar que a República nasceu da Questão Militar e, mesmo em seus momentos de normalidade democrática, a presença do dístico "Ordem e Progresso" aponta para uma filosofia com raízes nas casernas.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Itália

O economista e ex-comissário europeu Mario Monti, de 68 anos, foi convocado na tarde deste domingo (13) para ir ao palácio Quirinal, sede da Presidência da Itália, onde o chefe de Estado, Giorgio Napolitano, lhe deu presumivelmente a tarefa de formar um novo governo.
Monti foi chamado logo após Napolitano concluir as consultas aos partidos com representação parlamentar, aos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados e aos ex-presidentes italianos, para buscar uma saída para a crise de governo aberta após a renúncia de Silvio Berlusconi.
A lei italiana estabelece que o encarregado de formar o governo aceite a missão "com reservas", e que compareça perante o chefe de Estado para retirar essa "reserva" assim que tiver garantido os apoios parlamentares necessários.
Tudo dá a entender que, devido à imensa maioria dos partidos com representação parlamentar o apoiam, Monti aceitará já nas próximas horas a incumbência, e entregue uma lista com os nomes dos novos ministros.
O juramento do cargo do chefe do Governo e de seus ministros pode acontecer já na segunda-feira, e nos dois dias seguintes o gabinete se submeteria a um voto de confiança no Senado e na Câmara dos Deputados. Durante as consultas de hoje de Napolitano, todos os partidos - exceto a Liga Norte, aliada do partido de Sílvio Berlusconi, o PDL (Povo da Liberdade) - manifestaram apoio à escolha de Monti como novo primeiro-ministro. Até mesmo o PDL expôs a Napolitano sua disposição de apoiar no Parlamento um governo "tecnocrata de transição" liderado pelo economista.